A palavra nos leva a pensar em hospital, o que não está errado. Hospitalidade porém é mais que um belo sorriso e uma mão estendida a espera de uma gorjeta, sentenciam outros e por aí seguem as tentativas de definições, as quais, em seu tempo e na sua construção, devem estar todas corretas. Na minha caminhada como pesquisador, tenho lido muitos conceitos e uma infinidade de reflexões que são produzidas no mundo acadêmico com a firme proposta de multiplicar o conhecimento. Contudo, por mais que lia e refletia sobre o que passava pelos meus olhos, tudo não passava de reproduções sentenciais. Contudo, há alguns meses me deparei com um acervo de inestimado valor para quem busca entender a extensão do que o termo HOSPITALIDADE pode tomar ou representar. Lá pela metade dos anos sessenta, Francisco Perini, abre a sua cantina sob o nome de VINHOS PERINI. Esta familia na sua essência, foi uma das que dedicou-se para construir a cidade de Gramado/RS. Neste momento não vou falar sobre a cidade em si, mas daquilo que está abaixo da linha da visão, assim como um iceberg. Os registros apontam que o clã Perini chega em Gramado na primeira década do século vinte. Francisco se casa com Angela Bordin, familia que também já tinha raízes no lugar conhecido como Linha 28. As duas familias trilharam os caminhos da subsistência extraindo da terra praticamente tudo o que consumiam. Algumas vacas, terneiros, porcos e galhinhas pintaram por décadas a paisagem da propriedade. Lá pelos anos sessenta, Xico Perini como era conhecido, deu crédito a sua razão e fez da pequena propriedade um grande palco; construiu a vinícola Perini, cujo nome fantasia girava em torno de Vinhos Perini. No meio a tudo isto, casou nove dos seus onze filhos. Sua produção, pelo que se infere da documentação, era média pois aumentá-la significaria vencer os morros que singram a propriedade. Manteve sua proposta inicial aprimorando, contudo a qualidade dos vinhos e do suco de uva. Este é o panorama que foi possível reconstruir através de depoimentos de familiares e uma farta documentação, salva graças ao seu próprio destino. Porém se a parte da documentação empresarial é uma preciosa fonte de informações o que dizer da singularidade dos livros ouro? Em algum momento do passado os livros ouro tinham a finalidade de registrar valores, quando a finalidade era a realização de festas ou construção/ampliação/reforma de algo comunitário. Francisco Perini fez dos livros ouro algo diferente. Nas infindáveis páginas, alguns lidas com maior atenção outras nem tanto por força da letra do emissor, o que ali está escrito pode muito bem servir de tese para doutorado. A seu tempo, exporei algumas passagens das preciosidades encontradas. Aguardem!
terça-feira, 28 de julho de 2009
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