Acredito que Raimundo Faoro, deve estar nos olhando e de carta forma rindo da nossa cara. Na época em que urdia a Ditadura ele escreveu a obra OS DONOS DO PODER, a qual pode ser encontrada em um ou em dois volumes. Todo cidadão brasileiro deveria ter acesso a obra, mas professores de E.M seja de escolas públicas ou privadas deveriam oportunizar uma reflexao em conjunto com seus alunos. Na Universidade deveria ter no mínimo vinte créditos só para os ensaios. Há um capitulo especial que trata do paternalismo, coisa que não é dificil entender, mas está cada vez mais dificil compreender como está se transformando os escândalos do pais em rotinas banais sem qualquer preocupação de efetivamente efeutar mudanças. Ouve-se nas rádios um discurso onde não se encontra culpados, lê-se em jornais manifestações eruditas sobre democracia e transparência, porem fala-se e age-se muito pouco em efeutar transformações nas bases. Pergunsta-se quais as bases? Nossa juventude. Quando o Collor deixou na lembrança o famoso escândalo na casa da dinda sequer pensaríamos que outros tantos viessem à tona. Pois Presidente entra e Presidente sai, as maracutaias continuaram e, muitos juvens que naquela época estavam no limite da escolha profissional ingressaram na politica e hoje provavelmente reproduzam os retratos do passado. Mas isso não é o pior. O pior é que o ensino declinou, a formação dos professores festá a desejar, as familias passaram a compor o lado negro da falta de educação... e por aí a coisa vai. Pergunte a seu filho, seu sobrinho, seu enteado, para o médico, para o advogado, para o professor, para o sacerdote, para o economista se um dia passaram pela páginas da obra Os Dono do Poder ? Se eventualmente alguém disses que leu, agarre-se neste ser pois é espécie rara. Clone-o. Tive dificuldades de passar para meus alunos quando lecionava no EM. A dificuldade nao era a leitura era o preço do xerox do capítulo ou da dificuldade do agendamento na biblioteca da escola. Então ficava eu a pensar como fazer para que nossos educandos pudessem, no curso de seus dias futuros examinar com maior precisão e exporem suas opiniões do que estamos passando. Porém nao é somente dos jovens a responsabilidade é dos adultos também. No sentido de contribuir com a reflexão, me socorro do que está publicado na Zero Hora de hoje, 29/07, - p. 19 -na coluna da jornalista Ana Amélia Lemos, reproduz a fala do professor Nei Alberto Pies o qual sustenta o seguinte: "A renúncia de Sarney não mudaria nada no Brasil se os brasileiros não mudarem sua concepção de poder" É exatamente neste ponto que ao ler a matéria, lembrei-me da obra acima citada. Se você blogueiro(a) ficar atento (o) leiam o capítulo que Faoro trata do paternalismo... tenho a mais plena convicção que me darão razão... precisamos mudar nao só os politicos cuja relação é por demais conhecida... precisamos fazer com que esta juventude de quem vem sendo tirada o poder de reflexão, ... ler mais é pensar no amanhã. Até mais.
quarta-feira, 29 de julho de 2009
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Caro professor,
ResponderExcluirsegue anexo texto que está na referência acima. Gostaia de seu email para enviar meus artigos. Meu email é pies.neialberto@gmail.com
Brasil de quem?
“Que ferida jamais sarou, a não ser gradualmente?” (William Shakespeare)
Se há uma crise política no Senado ou não, é uma questão que precisa
ser posta e discutida. O que está em questão, em nosso momento
histórico, é a crise de uma visão de poder endêmica, que nasceu
colonialista no Brasil: o patrimonialismo. Esta visão de poder concebe
que o Estado, administrado pela classe política, é como se fosse “um
bem da família”, portanto disponível para ser livremente usufruído.
Desde a colonização, são inumeráveis os atos políticos, secretos ou
não, que demonstrariam facilmente como o Estado Brasileiro foi usado
para beneficiar “poderosas famílias”, com poderosos interesses, muito
antes de servir ao conjunto dos cidadãos brasileiros. As oligarquias
políticas vem perdendo espaços de poder, embora, de maneira esperta e
regenerada, continuem chamando os holofotes da imprensa,
apresentando-se como “salvadores da moralidade”.
Nossa democracia ainda tem fragilidades, mas está operando profundas
mudanças na forma de compreendermos o poder no Brasil. Quando
conquistamos liberdade de falar, denunciar e acompanhar as medidas e
atitudes adotadas por nossos governantes, comprovamos que poucos
resistem ao constrangimento moral quando comprovadas evidências de uso
do poder para benefícios próprios e de sua família. Muitos já caíram
na imoralidade, alguns estão caindo e muitos cairão, se prosseguirmos
vigilantes e crentes de que a política é a arte de governar e gerir a
vida pública e o bem comum.
Mas o mal acima apontado não pode ser de todo atribuído à cultura dos
políticos. A cultura brasileira é permeada de atitudes e conceitos que
enaltecem a vivacidade e a esperteza como valores tolerados no acesso
aos serviços e bens públicos. Muitos brasileiros revelam-se como se
“fossem outros”. A corrupção e a vantagem pessoal, na vida cotidiana,
constitui o famoso “jeitinho brasileiro”, uma forma de não observar
regras claras e universais a todos. Então se os outros podem fazer
isto ou aquilo, porque não posso também fazer o mesmo? Tem-se ainda a
concepção de que o que público não é de ninguém, quando o que é
público é tudo aquilo que é de todos.
O exercício do poder é sempre uma questão de força. Esta força não
significa, necessariamente, coerção ou violência, nem, tampouco,
dominação ou constrangimento. O poder é legítimo quando exercido pelo
uso de forças criativas que atuam e movimentam as relações humanas. O
poder, exercido democraticamente, tem a força de imprimir regras
claras, transparentes e de conhecimento de todos, para a igualdade de
oportunidades.
Se o presidente do Senado cairá ou renunciará a seu cargo não irá
mudar nada no Brasil se os brasileiros não mudarem sua concepção de
poder. A oligarquia de Sarney, a exemplo de outras, está em franco
declínio. E este declínio favorece aqueles que sempre entenderam que
política deve estar a serviço da coletividade, em detrimento dos
interesses pessoais e familiares. Estes, historicamente lutaram para
tornar o Brasil dos brasileiros, e poderão ser, vez por todas, a
maioria.
Nei Alberto Pies, professor.